Foi lançada, no ano de 1968, a primeira suspensão a ar no eixo traseiro para ônibus do Brasil e a Scania transformou-se em fornecedora exclusiva da Viação Cometa, uma das principais empresas de transporte de passageiros do Brasil. No ano de 1969, ocorreu a fusão de duas grandes organizações suecas, a AB Scania-Vabis e a Saab, fabricante de automóveis e aviões. A união resultou em uma grande companhia, com 23 mil empregados – 14 mil só na Saab – e em um movimento econômico em torno de US$ 500 milhões.
Da fábrica da Scania em São Bernardo do Campo saiu a primeira exportação de componentes de caminhão para a Suécia: um lote de 200 bombas de óleo inteiramente nacionais seguiu para ser montado nos caminhões suecos da marca. O embarque foi feito em Santos.
Em 1970, nasceu o caminhão Scania Super, com 42% mais torque e 41% mais potência que os modelos anteriores, graças à introdução do turbocompressor. Um ano depois, os veículos Scania receberam avanços tecnológicos, principalmente no sistema de freios, e tiveram a denominação alterada: de L 76 para L 110; de LS 76 para LS 110; de LT 76 para LT 110; e de B 76 para B 110. Surgiu assim aquela que seria conhecida como Série 0.
Em meados de 1971, foi formalizado o contrato de fornecimento regular de bombas de óleo da Scania Brasil para a matriz na Suécia, um fato inédito para qualquer montadora da indústria automobilística nacional. Em cada caminhão Scania produzido no mundo haveria uma bomba de óleo brasileira.
A Scania lançou o chassi de ônibus BR 115 em 1972, um veículo de projeto de carroçaria integral. O modelo permitia uma variação de distância entre eixos, conforme a carroceria, baixando o centro de gravidade e aumentando sua estabilidade e área do bagageiro para 8 metros cúbicos.
Nesse mesmo ano, a cidade de São Marcos, no Rio Grande do Sul, devido ao número de caminhões Scania por habitante, tornou-se a Cidade Mundial Scania.
O principal produto da Scania, o Scania Super, passou a ser chamado de “O caminhão da Integração Nacional” também no ano de 1972.
No final de 1974, a Scania apresentou o modelo LK 140 e inaugurou, no Brasil, a cabina logo batizada de “cara chata”, diferente dos modelos L, que eram popularmente conhecidos como “jacarés” ou “bicudos“.
A montadora iniciou o plano de expansão da sua fábrica em São Bernardo em 1975. Orçada em 50 milhões de dólares, as novas instalações foram projetadas para ter 78 mil metros quadrados, que preservariam o estilo das primeiras construções, revestidas de tijolos aparentes. O programa incluía a aquisição de máquinas e novos equipamentos, o que representava o maior investimento da empresa desde a sua fundação no Brasil. As novas instalações abrangeram depósitos, vestiários, setores de manutenção, de administração, casa de máquinas, nova portaria e uma nova fábrica, a de Chassis.
Em 1976, começou a ser produzido o primeiro chassi rodoviário de ônibus para aplicações severas, o B 112. Pouco tempo depois, a Scania apresentou ao mercado o modelo B 115, primeiro veículo com suspensão a ar nos eixos dianteiro e traseiro do Brasil.
Ainda em 1976, foram vendidos no mercado interno 3.665 veículos, a maior marca já alcançada pela Scania, e foi lançada a nova série de caminhões 111, dividida em L 111, LS 111 e LT 111, com trações respectivas de 4x2, 6x2 e 6x4. A série apresentava características de aperfeiçoamento e inovações, com o objetivo de diminuir o consumo de combustível e aumentar a vida útil do motor, aliada a maior potência.
O L 111 foi o último e mais bem sucedido capítulo de uma era que durou mais de 20 anos, os “jacarés”. Do precursor L 75, seguido pelo L 76 e depois pelo L 110, os caminhões Scania de cor laranja e aparência extremamente robusta povoaram as estradas. Quando foram substituídos pela série 2, em 1981, com os modelos T e R, radicalmente diferentes, as vendas dos caminhões L (com capô) e LK (cara-chata) haviam totalizado mais de 115 mil unidades no mundo e mais de 33 mil no Brasil.